Pequena dama de ferro, que isso adora. Com um gosto de melancolia nos lábios. Um felino, sagaz, oculto em seu mistério como as trevas da noite. A moça do alto da torre. Era princesa, a amazona, o cavalo, a rainha, a bruxa, a carruagem, era seu próprio conto de fadas. Não encarava os mortais nos olhos, com medo de ser tão vulnerável quanto eles. Tão veloz quanto à corça mitológica, tão fiel quanto a mais ávida amazona. Punha os doutores da medicina fora de suas sanidades. Lia livros que ninguém lia, via coisas que ninguém jamais veria. Na constelação da existência, sua presença era um quasar. Tinha luz própria. Suas palavras eram química, suas ações eram física. Ar de quem possui poder, de quem transforma o infinito em efêmero ponto de vista. Dádiva de Ísis. Jovem Afrodite, surgida nas espumas dos pensamentos dos escritos mais febris, morria e renascia a cada orgasmo dos amores perdidos, distantes, secretos. Fez do seu coração um navio naufragado, que se perde pouco a pouco no mar de seus martírios. Mareada de desafetos... Esquecia que o mundo fazia parte dela, e não o contrário. Esquecia que era forte, e sua força inspirava quem dependia de sua antepresença. Não nos deixa perder o rumo, o prumo, que nos dá o chão, que nos sustenta em seu alicerce. A mão no pincel, a tinta na tela, a arte na obra. Sopra um átomo de vida na nossa argila morta. Ouve quem te gosta nas pequenas coisas. Ainda não sei se és um grande mal ou o inexplicável bem. Só posso te dar o meu escrito, como recompensa. Ou o meu silêncio. E o meu desejo de que seu futuro seja seu próprio espelho: divino.
domingo, 12 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
jogo
Quem te contou foi Leandro Leal às Segunda-feira, Fevereiro 06, 2012 1 comentáriosNão fique zangado. Te pedi para agir com cautela, esquecer o egoísmo. Aprender a ouvir. Mas do que adianta, você não será o primeiro e nem o único. Todos os homens a quem eu me entreguei sempre seguiram o meu jogo tarde demais. Porque é tão difícil para um macho entender os desejos egoístas de uma fêmea? Não há segredo, apenas é preciso expandir a sensibilidade, rasgar essa venda, clarear a visão. Entender que queremos por perto quando pedimos distância, cicatriz quando queremos cura, trevas no lugar de luz. Não somos estranhas, apenas temos regras, como todas as coisas da vida - ainda que complexas. Basta ter paciência, fazer em vez de pensar, e salpicadas inefáveis de amor. Amor na medida certa, nada para transbordar ou para faltar. Com o tempo você entenderá, vai provavelmente em busca de outras diferentes de mim, contudo perceberá que, no fim, a linha de raciocínio é única. No amor, você só perde quando ganha. Sorte no amor, azar em todo o resto. E vice-versa. Amor é jogo, amor é aposta, amor é risco, dois corações arriscando todas fichas, um contra o outro, jogando para se ajudar e para se perder. Ainda tenho esperanças que, em dado momento dos nossos destinos errantes, você seja meu parceiro de jogo, uma vez mais. E faça um royal flush no meu coração.
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
80 e poucos anos
Quem te contou foi Leandro Leal às Segunda-feira, Janeiro 16, 2012 0 comentáriosUm cachecol, de que década? Geisel, Collor, Lula? Meus gametas em formato de pontos de interrogação. Sou uma porção de dor cercada de reticências por todos os lados. Os dias passam com a maior das morbidezes, segundas em desalinho, terças em desespero, quartas, quintas, sextas, com doses múltiplas de agonia, rompendo as trevas com uma escuridão maior. Não há janelas. Recuso-me a ver o sol enquanto não conseguir distinguir o garfo da faca. Uma ditadura de sanidade sem vaselina para ajudar a entrar. As revezes de esquecimento, com meus neurônios brincando de quebra-cabeças com peças desagregadas. Um tapete grisalho em minha cabeça, terremotos nas mãos. Tiro os óculos para não ter visão, quero outras lentes, ver o mundo com outros olhos. Quero poder ver outras pessoas, tirar essa neblina de dor que me cega de todas as formas. Rastejando por séculos querendo morrer, enquanto alguma entidade zomba de mim com a imortalidade. Um vampiro sem benção, sem maldição, até mesmo a dor aguda me foi negada. Nem sei o que sou. O mesmo, diferente de tanta gente. Com o peso da história enevoada nas costas, nos traços de uma caminhada que se iniciou perdida. Rumo ao nada, num caderno em branco, num passo em falso, numa face oculta, em uma eterna noite de tempestade em minha mente. Nesse jogo, só irei ganhar quando eu perder. Vida, você venceu! Nem sei o que sou. Se é que um dia fui. Se fui, não me recordo. Sou o mar, naufragado. Com ondas se perdendo de minha matriz. Repetindo, indo. E vindo. Infindo. Indo. In... Vindo... E... Nem o que sou. Onde estou?.
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